Venezuelano perde conexão de 35 minutos em Brasília e passa três dias dormindo em abrigo sem conseguir voltar para o país
Trabalhador estrangeiro perde voo de conexão e precisa de abrigo social em Brasília Um trabalhador venezuelano teve de passar três noites em um abrigo social...
Trabalhador estrangeiro perde voo de conexão e precisa de abrigo social em Brasília Um trabalhador venezuelano teve de passar três noites em um abrigo social em Brasília – sem dinheiro, sem acompanhante e sem falar português – após perder uma conexão aérea enquanto tentava voltar para Caracas. Victor Marin Almarza contou à TV Globo que passou 20 dias trabalhando em um navio no Brasil. Na última quarta-feira (22), saiu de Belém (PA) com destino à capital da Venezuela, em um voo da Gol com conexões em Brasília e em São Paulo. O prazo para trocar de aeronave em Brasília era de apenas 35 minutos. Além de não falar português, Almarza diz que recebeu informação errada de outra pessoa no aeroporto – e não encontrou o novo portão a tempo. "Tive uma má experiência com a companhia aérea Gol. Perdi um voo, cheguei 10 minutos [atrasado] e ainda havia chance de embarcar. Me perdi, não falo o idioma e [houve] má comunicação”, contou. O venezuelano diz que a Gol considerou o caso como "no show", ou seja, uma ausência no embarque que não foi comunicada com antecedência. Segundo o passageiro, a companhia exigiu um pagamento de mais de R$ 1 mil para remarcar. "Uma multa de mil e tanto, R$ 1.400, R$ 1.500, não lembro. Eu tinha comentado que não tinha dinheiro, então ela me disse que não, que perderia o voo", relatou. A TV Globo questionou a Gol sobre o tempo curto de conexão e os supostos problemas no acolhimento do cliente. Em resposta, a companhia disse apenas que "concedeu novo bilhete ao passageiro". Victor Marin Almarza, trabalhador venezuelano que vagou por Brasília após perder voo TV Globo/Reprodução Em busca de ajuda Sem dinheiro, sem conhecidos no DF e sem hospedagem, o trabalhador venezuelano deixou o Aeroporto Internacional de Brasília em busca de ajuda. "Perguntei na Polícia Federal, me enviaram para outra Polícia Federal. Dali, me enviaram ao Ministério do Trabalho, para a imigração. Fui daqui para lá, de lá para cá até que caí nas mãos da Defensoria Pública", narrou Victor Almarzar. O Núcleo de Defesa do Consumidor da Defensoria Pública do DF, por fim, assumiu o caso. Os defensores avaliaram que o tempo de conexão foi insuficiente – e que a Gol não prestou a orientação adequada. “Ele chegava 8h25, o embarque começava já 8h40 e o voo partia às 9h. É necessário que, nesses casos, tenha uma equipe conduzindo as pessoas que estão em conexão para o portão certo. Ele não teve esse apoio”, afirmou o coordenador do núcleo, Antônio Carlos Fontes Cintra. Enquanto o caso era resolvido, a área de Direitos Humanos da Defensoria conseguiu uma vaga para Victor em um abrigo social, onde ele dormiu deste quarta-feira – e deve dormir, mais uma vez, nesta sexta (24). "É um estrangeiro que está em situação de risco, não tem onde ficar, não sabe falar a língua. É importante ele ter uma rede de apoio”, destacou o defensor. Após a intervenção da Defensoria Pública, a Gol informou ao órgão que Victor foi reacomodado em um novo voo. “Amanhã [sábado], ele retorna para a casa dele”, disse Cintra. “O voo para casa sim, é amanhã, graças a Deus. Já não vou estar perdido em Brasília”, comemorou Victor. Placa de embarque internacional no Aeroporto de Brasília TV Globo/Reprodução Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.