'Ferida que não fecha', diz irmão de mulher morta em chacina no DF; julgamento começou nesta segunda
'Ferida que não fecha', diz irmão de mulher morta em chacina no DF Começou nesta segunda-feira (13) o julgamento dos réus pelo homicídio de dez pessoas de ...
'Ferida que não fecha', diz irmão de mulher morta em chacina no DF Começou nesta segunda-feira (13) o julgamento dos réus pelo homicídio de dez pessoas de uma mesma família no Distrito Federal. Os crimes foram praticados entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023 e ficaram conhecidos como a maior chacina da história da capital (veja detalhes abaixo). O irmão de Elizamar Silva, uma das vítimas da tragédia, conta que, após três anos, a família ainda sente muito pela perda. "É um buraco, uma ferida que não fecha. Espero que se faça justiça, e que Deus abençoe e ilumine os jurados, o juiz, o promotor, nosso advogado, e que ponha todos atrás das grades e que pague pelo que fez", afirma Ismael da Silva. Ao todo, 23 testemunhas serão ouvidas estas segunda-feira e terça-feira (14). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. À época, a Polícia Civil do DF concluiu que a chacina foi motivada pela posse de uma chácara de 5,2 hectares, avaliada em R$ 2 milhões, na região do Paranoá, onde algumas das vítimas moravam. Mesmo antes dos crimes, as terras já eram alvo de uma disputa na Justiça. Os réus são Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva. Segundo o Ministério Público, somadas, as penas podem variar entre 211 a 385 anos de prisão, conforme o Código de Processo Penal, caso os réus forem condenados. As investigações apontam que mais de cem crimes foram cometidos pelos réus. Vítimas Em 2023, a Polícia Civil afirmou que dez pessoas, inclusive três crianças, foram mortas para que não houvesse herdeiros para o terreno. Para os investigadores, os criminosos acreditavam que, sem herdeiros, poderiam assumir a posse das terras e vendê-las posteriormente. As vítimas do crime são: Elizamar Silva, de 39 anos: cabeleireira; Thiago Gabriel Belchior, de 30 anos: marido de Elizamar Silva; Rafael da Silva, de 6 anos: filho de Elizamar e Thiago; Rafaela da Silva, de 6 anos: filha de Elizamar e Thiago; Gabriel da Silva, de 7 anos: filho de Elizamar e Thiago; Marcos Antônio Lopes de Oliveira, de 54 anos: pai de Thiago e sogro de Elizamar; Renata Juliene Belchior, de 52 anos: mãe de Thiago e sogra de Elizamar; Gabriela Belchior, de 25 anos: irmã de Thiago e cunhada de Elizamar; Cláudia Regina Marques de Oliveira, de 54 anos: ex-mulher de Marcos Antônio; Ana Beatriz Marques de Oliveira, de 19 anos: filha de Cláudia e Marcos Antônio. Relembre o caso Chacina do DF: carro de vítima foi encontrado queimado em 2023 Reprodução No dia 12 de janeiro de 2023, a cabeleireira Elizamar da Silva, de 39 anos, desapareceu com três filhos pequenos. Segundo a polícia, ela teria saído de casa com um carro para buscar o marido, Thiago Gabriel Belchior, de 30 anos. No dia seguinte, o veículo dela foi encontrado com os quatro corpos queimados dentro, perto de Cristalina (GO), no Entorno do DF. O marido dela também era considerado como desaparecido. Três dias depois, familiares reportaram o desaparecimento de mais três pessoas da família: o pai, a mãe e uma irmã de Thiago – respectivamente Marcos Antônio Lopes de Oliveira, Renata Juliene Belchior e Gabriela Belchior. O carro de Marcos Antônio, sogro de Elizamar, foi encontrado carbonizado com dois corpos dentro, no fim de semana do desaparecimento da família. Posteriormente, as investigações confirmaram que eles eram de Renata Juliene Belchior e Gabriela Belchior. Além da família de Elizamar, a polícia também registrou o sumiço de Claudia Regina Marques de Oliveira e Ana Beatriz Marques de Oliveira, ex mulher e filha de Marcos Antônio, respectivamente. O corpo de Marcos Antônio foi encontrado enterrado e esquartejado perto da casa usada como cativeiro pelos criminosos, em Planaltina. No dia 17 de janeiro, foram encontrados os três últimos corpos, que foram identificados como Thiago Belchior, Claudia Regina Marques e Ana Beatriz Marques. Defesa de Fabrício Silva Canhedo "Em relação ao julgamento, a defesa do Fabrício espera que os fatos sejam analisados com serenidade, responsabilidade e compromisso com a verdade real. Em relação a acusação que foi imputada ao Sr. Fabrício, a defesa entende que houve uma ampliação de crimes, que não têm respaldo probatório. Sendo assim, os fatos serão apresentados aos jurados para que decidam de acordo com a prova." Defesa de Carlomam dos Santos Nogueira "Este julgamento se apresenta como um dos mais complexos da região Centro Oeste dos últimos tempos, tanto pela extensão probatória quanto pela repercussão pública que o caso naturalmente assumiu. Trata-se de processo com elevado volume de provas, múltiplas teses jurídicas e questões técnicas relevantes que demandarão análise cuidadosa pelo Conselho de Sentença, o que indica, inclusive, a possibilidade de um julgamento prolongado, como é comum em casos de maior complexidade. A defesa confia que os trabalhos serão conduzidos com absoluta observância das garantias constitucionais que regem o Tribunal do Júri, especialmente a preservação do contraditório, da ampla defesa e da soberania dos veredictos, pilares essenciais do Estado Democrático de Direito. Nesse contexto, a defesa reafirma sua confiança na Justiça e no papel dos jurados, que terão a responsabilidade de analisar o caso com serenidade, imparcialidade e com base exclusivamente nas provas produzidas nos autos. Por fim, a defesa ressalta que, em razão da natureza do julgamento e do respeito ao devido processo legal, eventuais manifestações mais aprofundadas ocorrerão no momento oportuno, dentro do plenário do Tribunal do Júri." Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.